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Entrevista – Raquel Kogan

segunda-feira, setembro 27th, 2010

Instalação Reflexão#3, de Raquel Kogan

A entrevistada da semana no nosso blog é  Raquel Kogan que foi convidada a integrar o júri de premiação do Festival Conexões Tecnológicas, ao lado de Jimmy Leroy Faria e Lucas Bambozzi. Raquel é graduada em Arquitetura e dedica-se em suas obras à investigação do espaço nos meios digitais. Seus projetos au.to-re.tra.to, ocupação#1, reflexão#2, reflexão#3 já foram exibidos em diversos locais, entre eles no Palácio das Artes (Belo Horizonte), ZKM (Karlsruhe, Alemanha) e Art@outsiders (Paris, França). No 6º Prêmio Sergio Motta, Kogan recebeu uma menção honrosa pela obra “Reflexão e suas inflexões”.

Em suas instalações, o espaço costuma ser trabalhado de forma a criar reflexões através de vidros, espelhos e água. Os números e a ideia de infinito também são bastante presentes, como em Reflexão (2003) e Projeção (2004). Como essas questões têm aparecido nas suas últimas obras?

A questão, na  verdade é esse momento único e não repetido em que o visitante vê a obra e a obra vê o visitante. Isto continua perpassando todas as minhas obras: esse momento em que tudo é igual e ao mesmo tempo completamente diferente.

Na instalação interativa “reler”, exibida no FILE 2010, cada um dos seus 50 livros de uma biblioteca sonora traz a gravação da voz de uma pessoa que lê um trecho de um escritor como Fernando Pessoa, Kafka, etc. Uma multiplicidade de vozes surge quando o público abre os livros ao mesmo tempo. Fale um pouco sobre este projeto:

A instalação sonora interativa “reler” consiste em uma prateleira com 50 livros. Mas, não são livros comuns, são livros para serem ouvidos e não lidos. Pequenos trechos prediletos, escolha pessoal de 50 pessoas convidadas a participar da execução da instalação, cada livro tem seu dono e sua voz. Ao abrir um livro, o interator tem seu rosto iluminado por um led, ao mesmo tempo em que dispara o som pré-gravado da voz daquele que selecionou esse trecho do seu livro predileto. Simultaneamente, no espaço expositivo, todos os textos sendo “lidos”, isto é, tirados da prateleira e abertos, vão somando uns ao outros em um palimpsesto de vozes.

Os finalistas do Conexões Tecnológicas 2010 serão divulgados até o dia 30 de setembro. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.

Entrevista – Val Sampaio

sexta-feira, julho 16th, 2010

Imagem do Projeto Cidade Rede, de Val Sampaio

A partir de hoje o blog do Conexões Tecnológicas inicia a publicação de uma série de entrevistas exclusivas com artistas e professores de referência para os campos de abrangência do Festival. Nossa primeira entrevistada, Val Sampaio, é artista, pesquisadora e professora da Faculdade de Artes Visuais da UFPA. Desenvolve projetos que envolvem novas mídias e processos coletivos de criação, além de coordenar o Grupo de Pesquisas “Territórios Híbridos”, da UFPA.

O Grupo Territórios Híbridos (FAV/ICA/UFPA), que você coordena, tem como referência os “agenciamentos coletivos de enunciação”, de Felix Guattari. Como essa noção é trabalhada nas ações do grupo? Fale um pouco mais sobre o Territórios Híbridos.

Compreendo a arte e suas formas de manifestação como agenciamentos coletivos de enunciação, nos termos de Guatarri. Isso significa que a arte “une fluxos semióticos, fluxos materiais e fluxos sociais.” Faço referência a este conceito de em um texto escrito com duas bolsistas de iniciação científica (PIBIC/CNPq), Amanda Carvalho e Ediene Pamplona intitulado “Notas sobre agenciamentos coletivos de enunciação” (ANPAP/2008).

Territórios Híbridos é um grupo de pesquisa e extensão da Faculdade de Artes Visuais (UFPA) onde atuo profissionalmente, como professora, pesquisadora e artista. No grupo, desenvolvemos pesquisas acadêmicas sobre arte contemporânea e suas possibilidades de hibridação. Esse conceito é trabalhado como ferramenta teórica e como fundamento das práticas dos projetos de extensão realizados como exposições, mostras, intercâmbios de artistas, oficinas e workshops. Atualmente, trabalhamos numa atuação mais digital, num portal que reúna e registre com mais agilidade as ações do grupo.

Conte um pouco sobre seu projeto de intervenção pública, CIDADE REDE:

Este projeto é uma multiplicidade: foi realizada intervenção na mídia publicitária de uma radio na cidade de Belém (PA) estimulando que as pessoas publicassem imagens num blog do projeto. Estas imagens também podiam ser postadas na instalação no Laboratório das Artes. O projeto agregou ainda duas outras intervenções públicas, coordenadas por mim. A primeira, “Luz no Manoel”, teve a participação dos artistas Lu Magno, Bruno Cantuária, Pablo Mufarrej, Ricardo Macedo, Eliane Moura e Rafael Moreno. Subimos na cobertura do edifício Manoel Pinto da Silva, um dos ícones do início da arquitetura moderna na cidade de Belém (PA). O letreiro em neon com o nome do edifício estava apagado há muitos anos. A ação grafitou com leds o letreiro. Ficamos algumas horas lá em cima, num ato performático e político para jogar luz para a arquitetura histórica da cidade que está sumindo, sob o silêncio de todos. Não foi diferente com o letreiro: um ano depois foi retirado sem que as pessoas tenham percebido o seu desaparecimento de nosso horizonte. Da segunda intervenção pública participaram também Mariano Klautau Filho, Luah e Aldo Sampaio. Foi realizada uma catalogação das mangueiras da Avenida Nazaré, que foram numeradas com tinta PVA, fotografadas e gravadas em vídeo. Esta intervenção foi realizada dias antes do Círio de Nazaré, que é um fenômeno cultural e religioso de Belém que reúne milhares de pessoas que saem andando em procissão. A intervenção foi em uma das ruas e aguçou a percepção daquele espaço público, buscando a atenção das pessoas para as árvores centenárias que precisavam ser cuidadas e preservadas.

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Por que?

OSRO, Multipoiesis Aestouch é um projeto muito interessante de artemidia que trabalha com conceitos como interatividade e processos colaborativos e formas de partilha do conhecimento da tecnologia que ele está pesquisando.

Qual projeto ou artista você indicaria como referência para o trabalho que você escolheu para comentar?

Messa di Voce - de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau (2003). Nesta instalação, um sofisticado software de reconhecimento de voz transforma cada nuance vocal em gráficos complexos e expressivos.

Inscreva-se no Conexões Tecnológicas 2010 até 06 de agosto. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.