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Entrevista – Giuliano Obici

quarta-feira, agosto 4th, 2010

Giuliano Obici e Alexandre Fenerich

Confira a nossa entrevista da semana, com Giuliano Obici.

Ele é artista experimental com ênfase em arte sonora, mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP com o livro “Condição da Escuta: mídias e territórios sonoros” ed. 7Letras e doutorando da ECA-USP. Além de professor da Escola de Artes na UAM, ministra cursos livres em arte digital abordando temas como interação em tempo real de áudio e video e instalações utilizando software e hardware livre. Forma o duo N-1 com o músico Alexandre Fenerich.

Nas apresentações do duo N-1, objetos como brinquedos de plásticos e vitrolas são incorporados, criando uma performance sonora visual. Você pode falar sobre a relação entre música e imagem no projeto?

O N-1 surgiu de uma busca pela experimentação do som. O uso de imagem veio depois por uma necessidade bem pontual em relação à performance musical. Imagine um palco com um monte de bugigangas que emitem som: rádio de pilha, bonecos de corda, caixinha de música, vitrolinhas; e duas pessoas tentando fazer música ao vivo com esses objetos, misturando-os com outros protótipos de instrumentos musicais – tecladinhos de brinquedo com circuit bending, sintetizadores caseiros, violão-relê e instrumentos digitais que processam os sons via computador. Colocamos tudo isso no palco e tocamos, gerando grande tensão para quem assiste-escuta, assim como para nós que tocamos. Diferente da performance tradicional musical onde se tem claro de onde vem o som no palco e como ele é produzido pelos músicos, na performance do N-1 os gestos mínimos não oferecem ao ouvinte essa relação direta. Tentando dar conta dessa desconexão visual, historicamente relacionado com o gesto do instrumentista, restituimos o pacto visual da performance musical com a utilização de um sistema de 4 câmeras de vigilância. Assim, nossos gestos são ampliados num telão, da mesma forma como amplificamos os sons. A partir daí iniciamos uma pesquisa de imagem dentro de uma perspectiva da experimentação sonora que conduz nosso trabalho. Narrativas diversas e absurdas se desenvolvem na dança dos próprios objetos em cena. Depois, vieram as imagens puramente sintéticas ao modo da performance da peça Marulho-Oceânico que apresentamos no festival Live Cinema 2009. Provavelmente a nossa próxima performance terá remix de filmes com a temática musical.

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Por que?

A instalação Marvin Gainsburg, de Jeraman e Filipe Calegario é um exemplo interessante das questões múltiplas que envolvem a criação nos meios digitais. Transitando entre diferentes linguagens, envolve aspectos técnicos que lidam com associação e fluxo de textos postados no Twitter, criando uma experiência musical que pode ser associada à figura do repentista na tradição da música popular. Na instalação, palavra, som e imagem; poesia, música e video; indexação, algoritmo de reconhecimento de voz e inteligência artificial são associados. Tudo a partir de um dispositivo interativo, palavras projetadas, microfone, câmera e a web. Uma outra dimensão importante do trabalho é a participação das pessoas pela Internet, através de um sistema de busca com banco de dados alimentado pelo Twitter. Esse trabalho coletivo interfere diretamente no resultado da obra. Sobre o ponto de vista técnico é um trabalho sofisticado que implica um esforço grandioso e difícil de ser desenvolvido sozinho. Complexo pela utilização e articulação entre diferentes softwares e linguagens de programação. É significativo que ele tenha sido desenvolvido sob uma plataforma de distribuição livre, onde o trabalho acontece através de uma dinâmica coletiva pautada na colaboração e distribuição de conhecimentos na qual toda sua estrutura se fundamenta sobre a lógica do software livre e da internet como parte de uma obra múltipla. Para finalizar, ficam as perguntas: Existirá uma versão para português? Ou ainda, faremos nos próximos anos performance musical alá Marvin assim como as disputas entre repentistas? Conjecturas a parte, Gainsburg é um projeto instigante que tem virtudes quando pensamos nos possíveis cruzamentos que a tecnologia produz e nas fronteiras que ela possibilita experimentar, ainda mais quando estabelece este tipo de diálogo com nossa cultura musical. De alguma forma, Jeraman e Filipe nos lançam pistas para o que possa vir a ser os desdobramentos do repente na cultura digital.

Qual projeto ou artista você indicaria como referência para o trabalho que você escolheu para comentar?

Sven König no trabalho do ScrambleHackz (2008) não lida diretamente com o reconhecimento de fala, mas trata de uma questão em torno do remix audiovisual partindo da voz como instrumento de controle e de um sistema de busca de arquivos a partir de uma análise da onda sonora; Uma performance audiovisual e instalação para voz e mídia interativa (2003) criada por Golan Levin e Zach Libermana com Jaap Blonk e Joan La Barbara; Conversation Piece (2008), de Alexa Wright e Alf Linney; Conexões com Oráculo Sonoro de Julian Jaramillo e Giuliano Obici -2005

Leia Também a entrevista com a crítica de arte Priscila Arantes.

Inscreva-se no Conexões Tecnológicas 2010 até 06 de agosto. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.

Entrevista – Priscila Arantes

quarta-feira, julho 28th, 2010


A nossa entrevistada da semana é a curadora e crítica de arte Priscila Arantes. Priscila é diretora técnica do Paço das Artes/MIS onde desenvolve projetos curatoriais. É pós-doutoranda pela UNICAMP e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e professora da mesma Instituição. É autora do livro Arte @Mídia: perspectivas da estética digital (2005/FAPESP/Ed. SENAC). Em 2006, participou da concepção da 1a edição do Conexões Tecnológicas e da publicação Conexões Tecnológicas (2006/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

Você é diretora técnica do Paço das Artes e diretora adjunta do MIS. Fale um pouco sobre os projetos que você está desenvolvendo nestas instituições:

Este ano o Paço das Artes faz 40 anos e por este motivo a maioria de nossas ações foram pensadas para “comemorar esta data”. Lançamos o novo site do Paço das Artes, estamos reorganizando nossa reserva técnica, ampliando as ações do educativo e fazendo uma programação voltada para dialogar e resgatar a memória e história não somente do Paço das Artes, mas das discussões que permeiam este tema. Este é o caso da Crossing (Travessias) que conta com minha curadoria e com previsão para ser lançada em 12 de setembro, como uma das atividades do SP Pólo de Arte Contemporânea em diálogo com a Bienal Internacional de São Paulo. É uma curadoria que dialoga com as questões da memória e poder e que conta com trabalhos de Ana Mendieta, Yoshua Ókon, AES+F, Lucas Bambozzi, Tatiana Blass, Alice Micelli e do grupo do educativo do Paço das Artes. Além disso, em novembro deste ano, pretendemos fazer um grande evento para comemorar os 40 anos da instituição com projeto que contará com trabalhos de todos os artistas que passaram pela Temporada de Projetos.

Você é professora dos cursos Tecnologia e Mídias Digitais, Arte: História, Crítica e Curadoria e Artes do Corpo PUC/SP. Que tipos de questões têm sido trabalhadas nos projetos dos seus alunos? Quais as ferramentas/tecnologias que estão sendo utilizadas ou desenvolvidas?

São cursos muito diferentes. No curso de Arte: História, Crítica e Curadoria, ministro uma disciplina que se chama Ateliê de Curadoria cuja ideia é, a partir de noções gerais da prática curatorial, estimular e dar subsídios conceituais para que os alunos desenvolvam projetos curatoriais de arte contemporânea passíveis de serem incorporados em espaços expositivos. Já no curso de Tecnologia e Mídias Digitais ministro disciplinas tais como Estéticas da Rede e Estéticas da mobilidade que discute projetos artísticos que incorporam a ideia da rede e das tecnologias móveis.

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Por que?

Repensando a obra “de arte” Repensada. Eu, tu, ele, nós, vós, eles. Achei o projeto divertido e bem feito. Dá vontade de ver mais.

Qual projeto ou artista você  indicaria como referência para o trabalho que você escolheu para comentar?

Como o projeto é uma hipermídia, sugeriria Valetes em Slow Motion do Kiko Goifmann; uma ótima referência de como um projeto pode ser muito bem resolvido conceitualmente e tecnicamente.

Leia também a entrevista da semana passada, com o artista Fernando Velázquez.

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