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Rumos Cinema e Vídeo 2009-2011

segunda-feira, setembro 13th, 2010

Imagem do webdocumentário O Céu nos observa, de Daniel Lima

O Rumos Cinema e Vídeo 2009-2011 apresentará os 21 trabalhos selecionados para sua sexta edição a partir do dia 16 de setembro. A iniciativa do Itaú Cultural tem como objetivo dar visibilidade para projetos que fogem do cinema convencional e experimentam de forma inovadora a produção audiovisual e suas interseções com outras artes como o teatro, a performance e a webarte. Os trabalhos estão organizados em três categorias: Filmes e Vídeos Experimentais; Espetáculos Multimídia e Documentários Para Web. Dentre os documentários para web, detacam-se dois projetos que já foram comentados aqui no site do Conexões: o Cidades Visíveis, do grupo LAT-23, e O Céu Nos Observa, de Daniel Lima,

Também participam projetos que são performances criadas ao vivo. Gabriel Menotti, apresenta 0fps: Southbank, que procura tornar evidentes as diferenças entre suportes de imagem analógico e digital e Sandro Canavezzi de Abreu mostra Pelas Fendas, vídeo criado e recriado em tempo real, sob observação do público.

Confira a programação completa.

Os finalistas do Conexões Tecnológicas 2010 serão divulgados até o dia 30 de setembro. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.

Entrevista – Marcus Bastos – Parte I

quarta-feira, setembro 8th, 2010

A nossa entrevista da semana é com o artista, curador e professor Marcus Bastos.  Ele fez comentários sobre vários trabalhos inscritos no Conexões 2010 e por isso publicaremos a conversa em duas partes, uma hoje e a outra amanhã. Acompanhe!

Marcus é diretor de trabalhos premiados como o vídeo interativo “Interface Disforme” e o curta-metragem “Radicais Livre(o)s”. É um dos organizadores do Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis / Vivo arte.mov, de que também é editor da revista online e do blog. É um dos editores do e-book “Apropriações do (in)comum” e autor do livro “Cultura da reciclagem”. Coordena, com Giselle Beiguelman, o grupo de pesquisa “Net Arte: perspectivas criativas e críticas”.

Você participa como artista e curador, do grupo LAT-23. Fale um pouco sobre o “Cidades Visíveis”, projeto do coletivo premiado pelo RUMOS Itaú Cultural:

Cidades Visíveis é um webdocumentário que será lançado próximo dia 15 de setembro, no Itaú Cultural. É o projeto mais recente do LAT-23, grupo formado também por Claudio Bueno, Denise Agassi e Nacho Durán. O pressuposto era usar recursos de rede, construir um site dinâmico. Foi um processo longo e complexo: o projeto foi se modificando em função do que era descoberto durante seu desenvolvimento (uma exercício de “escuta” da rede, para modelagem da interface, análogo ao processo de
“escuta” dos substratos de real oferecidos ao documentarista, para usar um termo de Vilém Flusser mais apropriado para pensar o tecido do mundo que “realidade”). No fim, se tornou um webdocumentário que subverte a lógica de filmagem e edição típicas do cinema. O sistema online que gerencia a exibição das câmeras explora procedimentos de captura e taggeamento de webcams rastreadas na rede (espécie de filmagem remota). Quando o usuário clica em play, o sistema sorteia um conjunto diferente de máscaras para exibir as câmeras e tags. O resultado são filmes potenciais, construídos a partir de metadados.
Algumas das câmeras exibidas aparecem ao vivo e outras recuperam imagens pré-gravadas, oferecendo um panorama de olhares (às vezes mais coerentes, outras mais aleatório) sobre praças, ruas, praias, aeroportos, bares, montanhas. Paisagens comuns nos sites que mostram webcams ao redor do mundo são reagrupadas de forma a construir e resignificar (conforme são deslocadas de seu contexto e inseridas num conjunto).

Você é professor dos cursos de graduação e pós graduação em Design da UAM e da PUC/SP. Que tipos de questões têm sido trabalhadas nos projetos dos seus alunos?

Procuro oferecer um repertório crítico e conceitual ligado aos desdobramentos mais recentes da cultura em rede, que são muito marcados pela sobreposição entre as tecnologias de conexão e o espaço público. Discuto como o mundo contemporâneo caminha na direção de uma sociedade de geografias mais fluídas e intrincadas, em que a presença não depende do deslocamento físico, mas da amplitude das redes que reconfiguram a trama de relações ao redor do globo. Esta nova configuração assume as formas mais diversas e contraditórias, já que afeta dinâmicas díspares, apesar de interdependentes. Não por acaso, trata-se um cenário que já foi criticado por resultar em um novo tipo de Império e celebrado de maneira entusiasmada por consolidar formas de inteligência coletiva capazes de estreitar diálogos e reduzir distâncias. Nem um nem outro, o mundo em rede revela-se um ambiente complexo em que é preciso gerir uma quantidade de impulsos e informações em velocidade sem precedentes. Neste contexto, procuro problematizar algumas questões: como aparelhos sem-fio e dispositivos portáteis mudam a forma como as pessoas circulam pelas cidades, ouvem música, se vestem e consomem? Como desenvolver projetos em sintonia com estas novas rotinas e hábitos? Como as redes cada vez mais dispersas e onipresentes mudam o design, a arte e a moda? Qual seu impacto no meio-ambiente e como equalizá-lo? Que estratégias são possíveis para os profissionais destas áreas atuarem criticamente diante desta realidade? Que ferramentas são necessárias, e o que é preciso para desenvolvê-las?

Os finalistas do Conexões Tecnológicas 2010 serão divulgados até o dia 30 de setembro. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.