Entrevista – Yara Guasque

Confira a nossa entrevista da semana com Yara Guasque, artista multimídia e professora da Pós-Graduação em Artes Visuais da UDESC. Ela é mestre em Literatura pela UFSC e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. Coordena o grupo de pesquisa do CNPq Telepresença em ambientes imersivos, participativos e interativos. Já coordenou os grupos de pesquisa o Perforum Desterro que (performances de telepresença) e o Grupo Interações Telemáticas . Foi pesquisadora visitante no Media Interface and Network Design da Universidade Estadual de Michigan, MSU, EUA; e participou em 2006 da exposição de instalações interativas Emparedados.

Você coordena o grupo de pesquisa Telepresença em ambientes imersivos, participativos e interativos. Fale um pouco sobre os últimos projetos do grupo:

Bom, o grupo foi criado em 2003/2004. Desde o início as pesquisas focaram ambientes participativos, e considerava inputs voluntários e involuntários. Como todo grupo de pesquisa, tivemos participantes efetivos e outros flutuantes como estudantes de graduação, bolsistas de iniciação científica, mestrandos, bolsistas PROMOP do mestrado, artistas doutores de outras instituições e artistas residentes no exterior. As áreas compreendidas eram artes visuais, engenharia elétrica, ciência da computação. Busquei também uma colaboração com outros centros e em outros laboratórios como o LISHA da UFSC, que delineou o sistema embarcado que usaríamos no projeto Plataforma Multiusuário Estação Carijós. O sistema não pode ser instalado como prevíamos e conseguimos uma liberação oficial apenas para coletarmos dados audiovisuais no manguezal do Itacorubi. Como não conseguimos permissão para coletar os dados biológicos da fauna e da flora, focamos o projeto na participação aberta da comunidade e na ação da sociedade civil frente às ameaças do mangue. O convite à participação era uma forma dos estudantes contatarem a região, chamando à conscientização. Atualmente, com Cristina Cardoso e Edgar Carneiro, que atuaram como bolsistas de iniciação científica até julho deste ano, estruturamos a participação aberta à comunidade através da rede social do NING para que a população possa postar coletas audiovisuais sobre os mangues. Específicamente focamos o Manguezal Itacorubi que é considerado um dos maiores manguezais no mundo em área metropolitana, localizado nas redondezas da universidade. Dentro do leque maior, realizamos individualmente ou em colaboração com outros artistas e programadores (minha instalação Mar Memorial Dinâmico contou com Vilson Vieira, Oriel Frigo, Alan Fachini e Dino Magri que desenvolveram a interface) instalações que também se nutriram da pesquisa do grupo e que estarão expostas junto ao Ciberestuário Manguezais na exposição que intitulamos Pneumatóforos, na Fundação Cultural Badesc, Rua Visconde de Ouro Preto 516, Florianópolis, entre 30 de setembro e a 12 de novembro. Em Pneumatóforos o Ciberestuário Manguezais estará exposto como uma espécie de escritório que servirá para postar na plataforma o material audiovisual coletado pela população sobre os mangues e projetá-los no ambiente.

Você é professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UDESC. Que tipos de questões têm sido trabalhadas por seus alunos? Quais as ferramentas/tecnologias estão sendo utilizadas ou desenvolvidas?

Nosso programa, o PPGAV do CEART/UDESC, contempla três linhas de pesquisa: Processos Artísticos Contemporâneos, Educação em Artes Visuais e Teoria e História das Artes Visuais. Como a linha na qual atuo (Processos Artísticos Contemporâneos) é ampla, tenho de abarcar um largo espectro de atuação. A disciplina que leciono no programa de mestrado “Artes Imersivas: interfaces e implicações estéticas e políticas”, ou mesmo os seminários, tentam dar este panorama da transformação de uma arte pensada como multimídia para uma arte pensada como um sistema que reage em tempo real a um input que pode ser involuntário. Ao longo destes anos formatei uma divisão do conteúdo em três seminários: Do hipertexto à Multimídia, Da multimídia às instalações interativas e Das instalações interativas à live art. Tento explanar os conceitos, as estéticas sistêmicas e as endêmicas, as interfaces implicadas nesta produção e a discussão que concerne à autoria, colaboração, metareciclagem, visualização e armazenamento de dados. A disciplina é atualizada todos os anos e neste semestre estou tentando dar mais atenção às raízes históricas da produção em arte digital, assim estamos trabalhando principalmente com o livro do Siegfried Zielinski, Deep Time que adquiri em 2007, e do Steve Dixon, Digital Performance além do Transcinema organizado pela Katia Maciel. Sobre as ferramentas utilizadas propriamente, este primeiro semestre organizei um curso de extensão chamado “Oficina de Arte e Tecnologia” aberto à comunidade e que serviu de reforço à disciplina que lecionei na graduação, “Instalação Multimídia”. Nesta oficina eu e Vilson Vieira lecionamos e contamos com o apoio dos grupos de pesquisa MuSA, Multimídia, Sistemas & Artes, da ciência da computação de  Joinville, e GPTaipi, do ceart, grupo de pesquisa em Telepresença em ambientes imersivos, participativos e interativos. Focamos o arduíno, software e hardware livres e componentes eletrônicos. Achei que foi um passo podermos unir estes dois grupos, mas nunca se sabe o quanto estas iniciativas são continuadas a nível institucional. A oficina funcionou entre as cidades de Florianópolis e Joinville e terminou com uma exposição que chamei de “Mímesis Mülleriana”, com resultados surpreendentes. Amadurecemos os conceitos artísticos e as maneiras exibitivas das instalações. Apesar das reclamações dos estudantes que requerem estúdios labs com softwares atualizados, monitores à disposição e disciplinas que desenvolvam habilidades, acompanhando a discussão internacional no Leonardo Education Forum este agosto, no ISEA2010 em Dortmund, chego à conclusão que estamos na linha da água. Ou se privilegia a aquisição de habilidades e o desenvolvimento de linguagem através das possibilidades de algumas ferramentas, ou se foca o conceito da arte produzida com estas e outras ferramentas. O caminho que me parece claro e mais longo é o da alfabetização dos estudantes de arte quanto às linguagens de programação e da alfabetização dos estudantes de ciência da computação da tradição da linguagem artística. Afinal temos séculos de tradição e é difícil resumirmos tudo em um pacote que caiba em poucos meses. Chegaremos lá!

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Por que?

Bom, teria muitos outros trabalhos para comentar, pois me parece que esta geração se apropria da tecnologia de uma maneira menos mística e mais natural, que difere das anteriores. Mas o Campo Controverso, de Pablo Paniagua e Lilian Minsky é muito simples. Diríamos simples demais e sofisticado ao mesmo tempo, de uma exuberância escultórica. Dois ventiladores, face a face, tencionam uma linha que os une. Ambos são empurrados para fora do campo devido aos vetores do vento que sopra em direções opostas. Gostaria de comentar também o trabalho de Jeraman e de Filipe Calegario, o Marvim Gainsbug. O software é uma mistura de máquina e artista e tem uma relação com a  pesquisa de Artur Matuck de 1998. Artur na época pesquisava sobre as análises semânticas de textos considerados poéticos, sobre as possibilidades de escritas combinatórias de LLul e as maquínicas realizadas por softwares capazes de compor textos poéticos. O que está implícito em Marvin é a questão da autoria (quem é o autor na música, o programa ou o autor do programa?) e da programação como uma escrita cifrada capaz e sensível o suficiente para tomadas de decisões de ordem subjetiva e estética, e o que é mais inusitado, capaz de se auto observar, o que é muito uma referência do humano (ser um observador externo e interno ao mesmo tempo). Isto fica mais claro no trabalho mais recente de Jeraman, Ada. Gosto especialmente de Marvim por ser  muito pontual um software que se nutra da rede e do twitter para compor música. Podemos atribuir a Marvim talento, criatividade e inovação ou a Jeraman e Filipe Calegario? Esta ambivalência declina muito dos pressupostos do que consideramos artístico e aí reside a força do trabalho.

Os finalistas do Conexões Tecnológicas 2010 serão divulgados até o dia 30 de setembro. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.

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20 Responses to “Entrevista – Yara Guasque”

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