Entrevista – Daniela Kutschat

OP_ERA: Sonic Dimension, de  Daniela Kutschat e Rejane Cantoni

A nossa entrevista exclusiva da semana é com a artista plástica Daniela Kutschat. Daniela é idealizadora do Conexões Tecnológicas e participou como consultora da segunda edição do Festival. Doutora em Artes pela USP, é professora da FAU/USP e do Centro Universitário Senac. Desenvolve pesquisa e proposições sensoriais e cognitivas a partir do duplo corpo_espaço e investiga a aplicação de Tecnologias de Informação e de Comunicação ao corpo, objeto, ambiente e cidade. Participa de exposições, congressos e júris nacionais e internacionais nos campos da arte, design, mídias e cultura digital.

Seus projetos costumam investigar a relação entre paradigmas multisensoriais do corpo e conceitos de espaço. Fale um pouco sobre isso e comente sobre o projeto Espaço como Fluxos de Possibilidades, premiado no Rumos Itaú Cultural Dança 2010.

Tenho colaborado com o Clube Ur=HOr, dirigido por Adriana Banana. Ao longo do ano passado e início desse, fui a Belo Horizonte e colaborei a partir da discussão do corpo como tecnologia e de modelos do espaço e de concepção do mesmo. Isso se deu através de palestras, sugestões de exercícios, observações, discussões. Durante o processo, surgiu a etapa inscrita e contemplada no Rumos: Espaço como Fluxos de Possibilidades. Naquele momento, partia-se da noção de espaço como algo dinâmico e vivo, relacional e instável. O grupo prosseguiu a pesquisa a partir de princípios como bifurcação, multivetorialidade, ambigüidade e vaguidão; exemplos dessa estão no blog www.bifurca.wordpress.com. A base do projeto era pensar o corpo como tecnologia. Nesse sentido o grupo deu um feedback maravilhoso, afirmando que as mudanças se incorporam no corpo de cada um.

Você é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e do Centro Universitário Senac. Você pode falar um pouco sobre alguns projetos dos seus alunos? Que tipo de questões têm sido trabalhadas por eles?

A aula (em sua maioria disciplinas de projeto) incorpora em si elementos da pesquisa; isto é, em aula, compartilho abordagens e métodos que utilizo na pesquisa. Em disciplinas iniciais de curso, solicito um olhar de expedicionário e uma atitude de artista-cientista: os alunos devem aguçar os sentidos e captar, processar e tornar tangíveis informações do e sobre o ambiente. Em outros momentos, essa operação se direciona mais para o design. Ministro, por exemplo, uma disciplina na qual os grupos de alunos têm de identificar um problema real e oferecer soluções viáveis. Como resultados interessantes, surgem protótipos de serviço de rotas e horários para usuários de transportes públicos (para celular); serviço de atualização de dados de pacientes que incluem o momento do resgate, diversas etapas de exames e atendimento médico (para pda); serviço de informação sobre fluxos e trânsito para motoristas (realidade aumentada). O interessante nesse tipo de projeto é que os alunos têm de ir a campo, verificar o que acontece e existe e conhecer o estado-da-arte tecnológico, para depois desenvolverem planos de viabilidade e protótipos funcionais que sirvam às pessoas.  Eles precisam também testar a usabilidade e rever o projeto se algo não funcionar. Os grupos são co-orientados por 2 ou 3 professores, o que faz com que vejam aspectos tecnológicos, sociais e humanos.

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Qual projeto ou artista você  indicaria como referência para o trabalho que você escolheu para comentar?

Costumo estabelecer parâmetros para avaliação como: reflete conhecimento sobre estado da arte, apresenta consistência e traz relevância e é original?

APOCALIPSO, Senmorta, 2009: considero a pesquisa realizada (e constante como pdf anexo) bastante ampla. O trabalho foi realizado por um grande grupo e teve por base conceitual e poética a obra e o pensamento de STELARC. Faltou ao projeto criar uma identidade entre design visual, modelo proposto e pesquisa; imagens e ilustrações são muito interessantes, algumas tem forte apelo sensorial; palavras (e tipografias) não mantêm o mesmo apelo; as passagens não estabelecem elos entre coisas e conceitos e confundem quem navega: por mais que se navegue, retorna-se a um ponto central e circular. Após interagir várias vezes da forma proposta pelo grupo (com câmera e microfone – testei a interação utilizando o Explorer e flash 9) o  projeto interativo e interação ficam dissociados da parte escrita.

Rodrigo Montandon Born, Verbum, 2010 Trata-se de um trabalho interativo realizado para disciplina de terceiro semestre. O título Verbum suscita uma dúvida e curiosidade. A documentação do projeto não mostra a interação, numa próxima sugiro ao autor mostrá-la. O projeto, apesar de interativo (voz e webcam) traz uma narrativa sobre a natureza e sua destruição como um manifesto literal. Sugiro ver “Les Pissenlits” de Edmond Couchot e Michel Bret 2005 e outras anteriores dos mesmos.

Leia também a entrevista com a crítica e curadora Ananda Carvalho.

Inscreva-se no Conexões Tecnológicas 2010 até 31 de agosto. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.

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19 Responses to “Entrevista – Daniela Kutschat”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Conexões 2010, Conexões 2010. Conexões 2010 said: Bom dia! A nossa entrevista da semana é com a artista Daniela Kutschat http://bit.ly/aPo8At [...]

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