Entrevista – Giuliano Obici

Giuliano Obici e Alexandre Fenerich

Confira a nossa entrevista da semana, com Giuliano Obici.

Ele é artista experimental com ênfase em arte sonora, mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP com o livro “Condição da Escuta: mídias e territórios sonoros” ed. 7Letras e doutorando da ECA-USP. Além de professor da Escola de Artes na UAM, ministra cursos livres em arte digital abordando temas como interação em tempo real de áudio e video e instalações utilizando software e hardware livre. Forma o duo N-1 com o músico Alexandre Fenerich.

Nas apresentações do duo N-1, objetos como brinquedos de plásticos e vitrolas são incorporados, criando uma performance sonora visual. Você pode falar sobre a relação entre música e imagem no projeto?

O N-1 surgiu de uma busca pela experimentação do som. O uso de imagem veio depois por uma necessidade bem pontual em relação à performance musical. Imagine um palco com um monte de bugigangas que emitem som: rádio de pilha, bonecos de corda, caixinha de música, vitrolinhas; e duas pessoas tentando fazer música ao vivo com esses objetos, misturando-os com outros protótipos de instrumentos musicais – tecladinhos de brinquedo com circuit bending, sintetizadores caseiros, violão-relê e instrumentos digitais que processam os sons via computador. Colocamos tudo isso no palco e tocamos, gerando grande tensão para quem assiste-escuta, assim como para nós que tocamos. Diferente da performance tradicional musical onde se tem claro de onde vem o som no palco e como ele é produzido pelos músicos, na performance do N-1 os gestos mínimos não oferecem ao ouvinte essa relação direta. Tentando dar conta dessa desconexão visual, historicamente relacionado com o gesto do instrumentista, restituimos o pacto visual da performance musical com a utilização de um sistema de 4 câmeras de vigilância. Assim, nossos gestos são ampliados num telão, da mesma forma como amplificamos os sons. A partir daí iniciamos uma pesquisa de imagem dentro de uma perspectiva da experimentação sonora que conduz nosso trabalho. Narrativas diversas e absurdas se desenvolvem na dança dos próprios objetos em cena. Depois, vieram as imagens puramente sintéticas ao modo da performance da peça Marulho-Oceânico que apresentamos no festival Live Cinema 2009. Provavelmente a nossa próxima performance terá remix de filmes com a temática musical.

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Por que?

A instalação Marvin Gainsburg, de Jeraman e Filipe Calegario é um exemplo interessante das questões múltiplas que envolvem a criação nos meios digitais. Transitando entre diferentes linguagens, envolve aspectos técnicos que lidam com associação e fluxo de textos postados no Twitter, criando uma experiência musical que pode ser associada à figura do repentista na tradição da música popular. Na instalação, palavra, som e imagem; poesia, música e video; indexação, algoritmo de reconhecimento de voz e inteligência artificial são associados. Tudo a partir de um dispositivo interativo, palavras projetadas, microfone, câmera e a web. Uma outra dimensão importante do trabalho é a participação das pessoas pela Internet, através de um sistema de busca com banco de dados alimentado pelo Twitter. Esse trabalho coletivo interfere diretamente no resultado da obra. Sobre o ponto de vista técnico é um trabalho sofisticado que implica um esforço grandioso e difícil de ser desenvolvido sozinho. Complexo pela utilização e articulação entre diferentes softwares e linguagens de programação. É significativo que ele tenha sido desenvolvido sob uma plataforma de distribuição livre, onde o trabalho acontece através de uma dinâmica coletiva pautada na colaboração e distribuição de conhecimentos na qual toda sua estrutura se fundamenta sobre a lógica do software livre e da internet como parte de uma obra múltipla. Para finalizar, ficam as perguntas: Existirá uma versão para português? Ou ainda, faremos nos próximos anos performance musical alá Marvin assim como as disputas entre repentistas? Conjecturas a parte, Gainsburg é um projeto instigante que tem virtudes quando pensamos nos possíveis cruzamentos que a tecnologia produz e nas fronteiras que ela possibilita experimentar, ainda mais quando estabelece este tipo de diálogo com nossa cultura musical. De alguma forma, Jeraman e Filipe nos lançam pistas para o que possa vir a ser os desdobramentos do repente na cultura digital.

Qual projeto ou artista você indicaria como referência para o trabalho que você escolheu para comentar?

Sven König no trabalho do ScrambleHackz (2008) não lida diretamente com o reconhecimento de fala, mas trata de uma questão em torno do remix audiovisual partindo da voz como instrumento de controle e de um sistema de busca de arquivos a partir de uma análise da onda sonora; Uma performance audiovisual e instalação para voz e mídia interativa (2003) criada por Golan Levin e Zach Libermana com Jaap Blonk e Joan La Barbara; Conversation Piece (2008), de Alexa Wright e Alf Linney; Conexões com Oráculo Sonoro de Julian Jaramillo e Giuliano Obici -2005

Leia Também a entrevista com a crítica de arte Priscila Arantes.

Inscreva-se no Conexões Tecnológicas 2010 até 06 de agosto. Conheça os trabalhos inscritos e debata sobre a produção universitária em nosso ning. Siga o Festival também no facebook e no twitter.

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20 Responses to “Entrevista – Giuliano Obici”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Conexões 2010, Conexões 2010. Conexões 2010 said: Bom dia! O músico Giuliano Obici é o entrevistado da semana no site do #conexoes2010 http://bit.ly/aVuBZh [...]

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